31 de mai de 2007

nuvem

esquinas me espreitam.
eu analiso e cuspo estrelas.
girassol trincado entre os dentes.
eu carrego um apartamento no pulso.
eu tenho vertigens radioativas.
alinhamentos celestiais.
todos os prédios são subjetivos.
pluma poema televisão.
o homem não afunda na lua do chão.
caiu do décimo andar e foi beber um chope ali na esquina.
mas como dizer as coisas simples?

7A.

contra Marinetti (homens distraídos atropelam automóveis)

somos todos arrastados pelos carros,
o pássaro acaba de abrir a sua jaula,
eu volto para casa assaltado e feliz.

sou um rei vulnerável
a seta a vítima o fraco o fabuloso o doente o iluminado.
eu não sou o rei da paciência.
sigo em frente.

sou um fio telefônico agonizando pelas veias pré-colombianas
entre cafés noturnos e armas.
os artistas da tempestade estão aqui.
o toque do hospício da sereia em pleno meio-dia.

e se é para um carro arrasar o meu destino
que seja uma Ferrari!

7A.

29 de mai de 2007

Una pasión!

O Boca é o Flamengo dos argentinos... O Zico é o nosso rei o Maradona é o deles. Sobre o rei Pelé o Dieguito disse: - ¡Yo lo único que sé es que Pelé debutó con un pibe!

¿La Boca ou Mangueira?

26 de mai de 2007

Espantapájaros















Exposição com os poemas de Oliverio Girondo na Biblioteca Nacional de Buenos Aires... Poemas hasta el estrabismo de los huesos...
21

Se miran, se presienten, se desean,
se acarician, se besan, se desnudan,
se respiran, se acuestan, se olfatean,
se penetran, se chupan, se demudan,
se adormecen, despiertan, se iluminan,
se codician, se palpan, se fascinan,
se mastican, se gustan, se babean,
se confunden, se acoplan, se disgregan,
se aletargan, fallecen, se reintegran,
se distienden, se encarnan, se menean,
se retuercen, se estiran, se caldean,
se estrangulan, se aprietan,se estremecen,
se tantean, se juntan, desfallecen,
se repelen, se enervan, se apetecen,
se acometen, se enlazan, se entrechocan,
se agazapan, se apresan, se dislocan,
se perforan, se incrustan, se acribillan,
se remachan, se injertan, se atornillan,
se desmayan, reviven, resplandecen,
se contemplan, se inflaman, se enloquecen,
se derriten, se sueldan, se calcinan,
se desgarran, se muerden, se asesinan,
resucitan, se buscan, se refriegan,
se rehuyen, se evaden y se entregan.

Maracanazo!

24 de mai de 2007

Jangada de pedra


Colonia del Sacramiento no Uruguay foi conolizada por españoles e portugueses e depois por españoles e depois pelos portugas de novo e depois... Bom, algumas ruas tem o calçamento espanhol, na foto da pra ver embaixo os paralelepípedos bem arrumadinhos. Outras ruas, como a que sobe até a igreja, tem o calçamento português com a demência portuga das pedras embaralhadas... Daí dá pra tirar várias conclusões sobre "tontas coisas".

7D.

Barca Rio-Niterói para a República Oriental del Uruguay

"Eu sou uma barca que vai pra onde Nietzsche é herói".

7D

Buenos Aires deflorada!

Pólem de aço, abelhas de ferro, jardim urbano! Buenos Aires de Prata!

júlia

aqui não existem princesas,
somente belas salas.

aqui se anda de deserto coberto pelas quatro tardes.
aqui nenhuma tomada nenhuma morfina.

aqui sempre uma frase pronta no cotovelo das horas.
algo como um aleluia ou um assalto.
aqui nunca se entende muito bem o que os cowboys fazem dançando música eletrônica no meio daquele deserto de lá.
no deserto de cá esses óculos escuros me cabem muito bem.

no espelho do que não vejo,
navalha.
por de baixo o segredo.
como uma artéria inchando,
como um peito de areia,
nenhum alto-falante me guia.

aqui o meu acaso bem pago.
aqui essa tela de prêmio e os relógios que me desaceleram.

Antonioni estava certo,
tenho febre de espaços.

agora transparente não espero,
passo.
mastigo alguma lua de chiclete,
as aparências nunca enganam,
antonioni estava mais do que certo.

aqui sou caça bem suponho nessa superfície de antenas nesse presente exposto até a última artéria iluminada por todo aquele escuro de nós mesmos e belas guitarras dissonantes poetas cuspindo um dia-a-dia tecido em balões de ar.

ela tinha flores no cabelo,
eu escapei pelas paredes,
ela tinha paredes no cabelo.

quero radiografar tudo,
um toldo preto infinito em uma cortina de areia.
você sorrindo no meu fim.

7A.

22 de mai de 2007

21 de mai de 2007

Lex Luthor

Franela En Buenos Aires

El franela! El 7D... En Buenos Aires... Poemas desde el avión hacia la plaza de Mayo e outras tantas por aí! La conexión con latinoamérica se hace! Tudo pela integração! Valeu Mercosul!!! Aguardem...

7D

15 de mai de 2007

anel descolado com nuvem

e se não fosse o transistor...........
antes tudo aqui era desequilíbrio.
avessos.

tirar o banal do banal.
milagres de meio de esquina.
harmonia? que harmonia?

amarelos que não são de cólera,
corações que não acompanham os elevadores,
casas que se perdem há muito tempo.

quando algo toca essas grandes avenidas impossíveis é que eu conquisto tudo.

a vida é breve,
Túnel de luz.
7A.

14 de mai de 2007

poeira

caminhamos sem fé no sol, nós e nossas antenas, nada mais.
queremos sempre ultrapassar a cal cósmica dos pedreiros.
tento nos achar perder, flutuamos na nossa nave de ogum, procuramos os amores mais banais.
vemos a cidade mudando, O azul mais violento nos fere nesse céu sem nuvens, nossos anjos alienados estão mais inconvenientes do que nunca. quem somos nós nessa maquete? Nem tentamos entender......................nossos olhos estão rasos, (um pouco de inocência salvaria o dia), sereias nos perseguem, poderíamos passar dias e dias trancafiados, poderíamos até nos atirar pelo ar-condicionado. você já tentou atravessar um túnel a pé?
nosso táxi oxossi desliza longe, nós não entendo nada, nos enamoramos por uma estrela banguela, psicodélicas montanhas, ouvidos cheios de formiga, belezas perigosas, as motos nos interessam, perdi o tempo, caímos no chafariz. Olhos são vidraças, nenhum ônibus passa por lá.
ganesh de estrelas.
(um pouco de inocência salvaria o dia).
queremos um poema leve como uma nuvem no meio-fio.
(um pouco de inocência poderia salvar o dia)
a última coca-cola do deserto é nossa.

7A.

cidade

cidade
folha branca,
caminho por acordar,
ando de carrossel e vomito nuvem doce.

os aeroportos não cabem na minha tela,
galáxias diárias,
os holofotes lambem as sobras.

a escada se esfacelou nas minhas mãos,
cansado de correr pelas maquetes da vida,
carrego meu apartamento nas costas,
sou caracol total.

as pontes são minhas,
coração panorâmico,
coelhos azuis,
passei como raio.

tentei penetrar na pele lodosa da cidade, mas tudo que vi foi um monstro adormecido e sorrisos maravilhosos. a criança é verde musgo, por onde passei as mulheres me ofereciam castelos sangrentos tive aqui as arquiteturas mais delicadas dos meus caminhos. passei por todas as paisagens vertiginosas do coelho generoso, insônias turísticas.por essas ruas como morri!
quando fico assim logo pinto outra cidade,
cuspo alguns relógios que me engasgavam,
só assim sou feliz.

7A.

HERANÇA NO(S) DO(I)S OUTROS

Ficou faltando um texto muito interessante sobre a gente publicado por Erly Vieira Jr. no www.estarsendotersido.blogspot.com.

Ele fala dos dois pés atrás que tem com esse problema que sofre o mundo da artes, chamado "herança artística".

Depois de falar mal da distribuição genética entre filhos do Jairzinho e da Elis, bem como os do Xororó, o autor vai pro mundo das letras, cita o Veríssimo (filho) e cai nos guimarânicos Sete Novos. E (viva!) fala muito bem do Augusto, o que eu concordo bastante (não por simples protecionismo setenovattista).
Dá uma lida lá. O nome do post é "Herança?!".
Pensando cá, o Domingos e o Augusto tem um diferencial importante nessa discussão tola: os pais deles não são os Guimaraens escritores, Watson. Esse lance da angústia bloomiana da influência paterna acaba pesando bem menos por isso, creio eu, o plebeu.

7M

PS.: Falando nisso, os discos do amigo Moreno e os do Sean são muito bons, vocês não acham? E olha o papai dessa galera...

13 de mai de 2007

ARQUITETURA DA RUÍNA

aqui tudo é ruína
do esqueleto dos edifícios
ao moonwalk do curupira

deuses que dançam
cidades que gritam
corpo que chora

deuses que gritam
corpo que dança
cidade que chora

cidades deuses
que gritam
o coro que chorpa

Tudo sobre a ruína
iluminada pelo cabelo de fogo
do moonwalk do curupira

um dia meu filho
tudo isso será água

dancemos sobre as ruínas
o moonwalk do curupira

o mundo acaba
de
renascer
na geopoética da reconstrução

é carnaval!
e é o sonho que não salva

e o que fazer
no vazio da ruína?!

a ordem prazer da razão
s d esp ç p ra d or em
e e a o a a es d

delícia da imaginação
que reconstrói os espaços derruídos

e é neste espaço rugindo
imaginário e solar
rompendo a desolação da ruína
que caminha altivo o
moonwalk
do
curupira...

7D

7 de mai de 2007

FORTUNA CRÍTICA DE CADA DIA, NOS DAI HOJE

Recapitulando e organizando...
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Site SRZD
4 de dezembro de 2006
Por Vitor Paiva

http://www.srzd.com.br/sec_news_view.php?id=1748

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O Globo: Prosa & Verso
16 de dezembro de 2006
Por Renato Rezende

http://www.marovatto.org/osseteblogues/clipping/oglobo.jpg


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O Estado de São Paulo: Caderno 2
21 de dezembro de 2006
Por Antonio Gonçalves Filho
(ta faltando um pedacinho, cês vão reparar...)

http://www.marovatto.org/osseteblogues/clipping/oestado.jpg
http://www.marovatto.org/osseteblogues/clipping/oestado-02.jpg
http://www.marovatto.org/osseteblogues/clipping/livros.jpg

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Folha de São Paulo: Folhateen
26 de março de 2007
Por Daniela Arrais e Estêvão Bertoni
(com o plus a mais de Bruna Beber, nossa oitava passageira, Daniel Galera, ídolo aqui pelas livrarias do Lebronx, Simone Campos, Fiorina Mongiovi, Olívia Maia e Tony Monti, todos adicionados nos nossos links)

http://www.marovatto.org/osseteblogues/clipping/folhateen-capa.jpg
http://www.marovatto.org/osseteblogues/clipping/folhateen.jpg

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ClickInVersos
abril de 2007
por Ramon Mello
(estamos embaixo do Tico Santa Cruz e acima da Bruna Surfistinha, tipo suruba na Casa dos Artistas)

http://www.clickinversos.myblog.com.br/


7M

carnaval (7A)

passos que parecem dançar,
hoje o vento é o único tecelão da nossa paisagem.
no nosso museu de infinito,
nenhum tigre tinge o incêndio do nosso espelho.

querer subir logo que rebrilhe o mar,
nosso xadrez oco,
nossos estranhos degraus.
rasgo o seu ventre de sereia,
sofro todos os sóis.

o grande nó,
nossa maior sede,
lá fora a multidão continua fria,
fria.

nosso alvo de nuvens,
nosso espelho coagulado,
peixes do sol.

o anzol de rampas e viadutos acaba de cravar o seu último raio.

3 de mai de 2007

POST-MORTEN IDADE

"Quantos anjos conseguem dançar na cabeça de um alfinete? Quantos anjos conseguem dançar na cabeça de um pós-modernismo?!"
Ferlinghetti

7D

2 de mai de 2007

O FILME

O Filme

O quanto o cinema é um reflexo da cidade?
A comunicação através da limpeza dos ruídos.
Mas quem sussurra o réquiem?
Detetive ou poeta, quem é o diretor?
Qual a hierarquia do impossível?
Fórmulas para narrar o mundo, quanto mais banal mais estranho.
Uma vida com personagens e não marionetes.
Existe o cinema de poesia?
Existe o filme?

7A