29 de ago de 2008

CONVERSA COM ALPHONSUS DE GUIMARAENS FILHO



Eu e meu avô em 2001.
Uma pausa no caos do dia-a-dia para uma homenagem mais que merecida.


Hoje, pela primeira vez na vida, me despedi de um poeta. Pra mim, mais do que um grande poeta, você é o meu avô. E se você não me ensinou a soltar pipa ou jogar botão, como muitos avôs fazem por aí, me ensinou outra brincadeira, talvez mais lúdica e lírica: este ofício do verso. Tenho até hoje na gaveta aquele primeiro poema que você rabiscou com carinho, fazendo umas modificações, e me devolveu. Eu fiquei ali orgulhoso como criança que recebe uma pipa resgatada, e toda remendada, do quintal do vizinho. Lembro desse poema, ou dessa pipa, porque lendo uma carta sua para Carlos Drummond de Andrade mais uma vez você me ensinou essas coisas que só um avô ensina. Nessa carta você comentava o falecimento de sua mãe, Zenaide, e dizia assim:

“...esta tristeza que, embora inevitável, sempre procurei ver adiada no tempo, já que ela, com viver quase noventa anos, habituou-nos tanto à sua presença que era penosa a simples idéia de perdê-la. Mas a perda veio, e diante do irremediável o que se deve fazer é buscar o conforto no que ficou de melhor e mais grato em nós do convívio com a pessoa amada”.

E hoje vô o que fica em mim são essas lembranças de tantas histórias sobre poesia, ou daquele dia em 1994 quando você, meu pai e eu pulamos juntos, abraçados, na conquista do tetra campeonato mundial de futebol, ou tantas e tantas outras coisas que um silêncio explica melhor.

Em um soneto você pede pra que não se diga Adeus, mas apenas até breve e se em outro você diz que já estava cansado da busca pelo sumo das palavras, pode descansar tranqüilo que a gente continua esse caminho por você!

Até breve meu avô.

Alphonsus de Guimaraens Filho, poeta, meu avô. Nasceu em Mariana a 03 de junho de 1918 e faleceu no Rio de Janeiro no dia 28 de agosto de 2008.

25 de ago de 2008

22 de ago de 2008

13 de ago de 2008

DAVID LYNCH (por 7A)

A luz do sol, por exemplo, não elimina a negatividade.É uma luz que elimina a escuridão, mas não a negatividade.Que tipo de luz nós devemos então ascender para dissipar a negatividade, tal como a luz do dia dissipa a escuridão? (DAVID LYNCH- CATCHING THE BIG FISH)





Somente através do cordialismo desenfreado dos hospitais de luxo é que Laura Dern devora tranquilamente seus manequins humanos empilhados em pulsões de mar. Em fúria James Stewart invade o quarto de Fellini com seus dinossauros digitais: Frederico; a multidão deseja sua capa. No campo unificado da super-highway se chega à Roma com um passo. Todas as estradas sujas são deixadas para trás; elevadores caem e caem e caem. Difícil possível sustentar a sufocante máscara de borracha do clown. Cobre-se o céu com texturas e depois neste mise-èn-scene as cores impregnadas de abstração vêm atrás. As centelhas dos lábios verdes e gramas vermelhas nos esclarecem; os floristas são só pra disfarçar. Milk-shakes de jasmim nos esperam; telefones de argila para nos clarificar: Nos refletores de sal, nas geladeiras de gasolina; os jardins de dança correm por e até você. O som no clarão do ventilador é essa sintonia de luzes desses felizes acidentes. Sob o sol, os espelhos estão limpíssimos e nos salvam de lâmpada em lâmpada; Musas canibais sobem para as estrelas. Os peixes da tela rastejam. Helicópteros cortam tua cabeça de suaves desastres. Iluminações em aeroportos são as melhores. Pode-se pousar fúria e esculpir silêncio. Muito melhor é ser aniquilado por um outdoor e renascer na extensão cruel do instante flutuação na pedra oceânica do pescoço. Agora algo se rompeu e se rompe por de trás dessa criança uivando baixinho o magnetismo de suas unhas indefesas a nos projetar. Os peixes invadem o cinema; mais solúveis do que nunca se poderia se pôde inventar. Seja muitíssimo bem-vindo ao deserto do real.

2 de ago de 2008

PARA HEATH LEDGER (por 7A) Why so serious? Let`s put a smile on that face.

O cotidiano está sempre atrasado. Coloque seus óculos de pólvora e parta para os fios do real sensível. Frature a ilusão. No avesso tudo pode se articular.

Na fauna urbana dos monstros encantados. No cine-sensação do mundo esvoaçante e transitório das vísceras do próprio herói. Dos gregos e suas muralhas supostamente imunes ao tempo: Queria julgamentos da história; Queria o fim do sono; Queria devorar as musas, mas agora o civilizado nu suspende suas mãos pegando fogo no cinema da rua. Nada é concreto até que desapareça.

Empilhar relíquias. A Multidão violenta da televisão flutua em cima de uma pedra com o globo ocular no universo. Na paisagem da boa digestão o poema é o transe. O poema é o transe. Jokerman, na gramática do equilíbrio o véu do éden pode ser dinamitado. O rei da velocidade em um mundo teleguiado é também a máquina de fraquezas. Slides simultâneos de trânsitos. Para uma salvação sem santos: o verbo visual.

Mas a providência messiânica das capas de jornal não contêm a fúria solitária de galáxia. Queria que a paisagem fugisse de sua própria escravidão. Quebre garrafa e derreta espelho; faz tuas colagens de presentes. Max Ernst já nos deixou bem claro que ´´não é a cola que faz a colagem``. Mesmo assim você ainda fez muito bem em tentar teu suspiro oceânico na Tropicália do dilacerado.

O cotidiano está sempre atrasado. Nada é concreto até que desapareça.

1 de ago de 2008

Why so serious?




imagem livremente adaptada do logo flávio papi maquetes e do nosso querido rei beckettiano eterno roberto