25 de jul de 2010

Há 6 anos 2 últimos minutos eternos. (por 7D)

No dia 25 de Julho de 2004 eu vi 2 minutos serem mais que 120 segundos. O bom da Copa América é que parece uma libertadores de seleções, tem papel no gramado, montinho artilheiro, buraco na grama, alambrado, torcidas enlouquecidas e você pode assistir o jogo de pé. São os 10 sul-americanos e mais 2 convidados. Normalmente México e EUA completam o time de 12, mas até o Japão já jogou uma o que poderia elevar a um status de mundialito a mais antiga competição entre seleções nacionais do mundo.

El llanto:


Naquele 25 de julho o Brasil chegou à final com um time considerado série B, sem as principais estrelas, contra uma Argentina cheia de Tevez, Riquelme, Sorin, que vinha voando baixo em toda a competição. O jogo da final foi duro, mas a Argentina dominava, tinha mais chances, era mais criativa com os passes de primeira do imarcável Juan Román Riquelme. 45 e 30 do primeiro tempo 1x0 Argentina, falta na entrada da área, bola levantada, Luizão de cabeça. O juiz apitou logo após o gol de empate e aquele último minuto durou pelo menos 15 para os argentinos até todo mundo voltar pro segundo tempo.

La copa:

O jogo seguiu tenso com a Argentina melhor, aos 42 imprimiu-se o 2x1 no placar. O Brasil atônito em campo e o Tevez perde a bola na lateral batendo bolinha na frente de um brasileiro. Mas parecia não fazer diferença, os argentinos já comemoravam 47 e 30 do segundo tempo. O locutor argentino dizia: “Se acabó, Argentina esta a un par de minutos de recuperar la copa América”. O Galvão Bueno dizia: “O Brasil não levou o time principal, o técnico tentou salvar o cargo, e perde num jogo por dois a um...” Mas aí o Diego levantou aquela bola na área e o Galvão berrou “... pode até empatar, capricha Adriano”. E o Adriano caprichou, deu uma puxadinha de esquerda e bateu seco no canto esquerdo do Abondanzieri. Saiu louco tirando a camisa em brasa rodopiando pelos ares. O locutor argentino só conseguiu concluir “Me quiero matar, Adriano y vamos a penales”.

Los campeones:

O resto é história. Aqueles últimos minutos reverberam até hoje em todas as Américas, a taça veio pro Brasil e o silêncio dos argentinos a cada pênalti perdido nós escutamos até hoje. Naranjo en flor x O Sol nascerá! O nosso sol é a camisa amarela inteira em brasa Brasil, tropicalismos transcendentais de sóis sangrentos! Nunca me esquecerei da cara de desespero do cabeludo Sorín com aquela camisa de listras verticais que são como lágrimas azuis que rolam, e da felicidade no sorriso do ainda garoto, imperador sem trono, Adriano. Todos os matemáticos erraram, 2 minutos são eternos, o todo é sempre maior que a soma de todas as partes!

Narração do Galvão:


Narração argentina:


Naranjo en flor:



O sol nascerá: (Ah! Sorín! Eu pretendo levar...)




16 de jul de 2010

MARACANAZO (por 7D)

Brasil


Uruguai


O gol



Hoje acordei com uma tristeza e não sabia o que era. Choviam lágrimas. E uma pergunta me veio em castellano: Pero que pasa? De onde vem tanta água, tanta tristeza? Olhei o calendário, 16 de julho de 2010. 16 de julho, essa data é uma eterna ferida. Hoje o maracanazo completou 60 anos, 60 anos de uma tristeza que tem o dobro da minha idade, o dobro do tamanho do Brasil. Mas 16 de julho não é um dia de culpados. Não é culpa dos políticos que sabatinaram os jogadores no dia anterior para saírem nos jornais já ao lado dos campeões, não é culpa do técnico Flávio que impôs na manhã do jogo uma missa de duas horas que todos assistiram de pé. Não é culpa de Juvenal, Augusto, Bauer, Friaça, Danilo, Bigode, Chico, Zizinho, Jair, Ademir e principalmente não é culpa sua Barbosa. Barbosa, eu te perdôo com os olhos cheios de lágrimas e com as mãos vazias dessa bola que te escapou. Hoje é dia para um herói, o único homem vivo dos 22 que estavam em campo naquela tarde. Hoje é dia de Alcides Ghiggia. O gol foi seu, 2x1 fatal.

Jules Rimet, o eterno presidente da FIFA, escreveu em suas memórias
"Ao término do jogo, eu deveria entregar a Copa ao capitão do time vencedor. Uma vistosa guarda de honra se formaria desde a entrada do campo até o centro do gramado, onde estaria me esperando, alinhada, a equipe vencedora (naturalmente, a do Brasil). Depois que o público houvesse cantado o hino nacional, eu teria procedido a solene entrega do troféu. Faltando poucos minutos para terminar a partida (estava 1 a 1 e ao Brasil bastava apenas o empate), deixei meu lugar na tribuna de honra e, já preparando os microfones, me dirigi aos vestiários, ensurdecido com a gritaria da multidão. (...). Eu seguia pelo túnel, em direção ao campo. A saída do túnel, um silêncio desolador havia tomado o lugar de todo aquele júbilo. Não havia guarda de honra, nem hino nacional, nem entrega solene. Achei-me sozinho, no meio da multidão, empurrado para todos os lados, com a Copa debaixo do braço."

O presidente da FIFA sozinho, com a taça debaixo do braço empurrado pelo silêncio universal daquela derrota. Os uruguaios comemoravam mesmo contaminados por 200.000 tristezas. “Assim é o esporte”, foi a única coisa que conseguiu dizer o técnico Flavio depois da derrota. Dali pra frente tudo mudou, a camisa branca foi aposentada dando origem a amarelinha. Mas na final de 1958 levamos a Jules Rimet com a camisa azul do manto de Nossa Senhora Aparecida costurada a mão. 1962, 1970 e a Jules Rimet é eternamente nossa! Pelé e Garrincha nunca perderam jogando juntos pela seleção. Em 1994 mais um título com Romário o gênio da grande área, em 2002 outro, no Japão, com o Fenômeno marcando 8 gols fenomenais. O Brasil jogou todos os mundiais. É o time que mais venceu, que mais marcou gols, que mais encantou. Se os ingleses inventaram o futebol os brasileiros o aperfeiçoaram. Fizemos o futebol virar o ópio dos deuses como diz meu primo Augusto. Mas mesmo assim nunca mais seremos campeões mundiais de 1950.

Em outubro do ano passado morreu o zagueiro brasileiro Juvenal Amarijo e Ghihhia passou a ser o último sobrevivente de 1950. Tem 86 anos, vive em Las Piedras no Uruguai casado com uma mulher 40 anos mais nova que ele. Os deuses do futebol não o castigaram, ele foi embalado por eles como herói, e assim merece ser. Eu te felicito Ghiggia, com a dor de 200.000 lágrimas te felicito. Um dia desses ele disse: “Três pessoas silenciaram o maracanã, o Papa, Frank Sinatra e eu”. Hoje, sessenta anos depois, eu ainda ouço esse silêncio.


12 de jul de 2010

Futebol e o Fígado (por 7D)

Cidades vazias são o que restam agora que tudo é silêncio. As vuvuzelas calaram. A Copa do Mundo na África termina com oito tentáculos. O polvo, o molusco profeta que pintou cores muito mais vivas com sua camuflagem cromatófora do que os descendentes de Picasso e Van Gogh que fizeram a estranha e inédita final Européia nesse 2010. Todo oráculo tem seu dia de mãe Dinah, mas o polvo, profeta com sua desengonçada cabeça balançante, teve oito dias de glória. Ele tinha 01 chance em 864 de acertar oito jogos e acertou. Pra que tanta ciência se o polvo, com seus tentáculos sensoriais, antenas que captam tudo, sabe o que nenhuma calculadora atômica pode calcular? Todos os búzios são gravadores de polvos. Os ifás estavam certos. Nas encruzilhadas das madrugadas veremos polvos e não mais galinhas junto das cachaças e das velas. Nunca mais um polvo entrará numa paella. Todo pai de santo é um polvo amordaçado. Mais uma copa, um novo oráculo.

Por aqui tudo se foi mais cedo. Mas o futebol é como o fígado, a eterna esperança, a eterna ressurreição. Futebol não é tática nem técnica, futebol é o fígado na ponta da chuteira. Este fígado que para os gregos era o órgão do amor, era ali que Eros cravava suas flechas apaixonadas. É o fígado quem bebe o vinho de Dionísio. O fígado chuteira invisível. Naquele tempo, comer um fígado vivo era alimentar o amor. O amor que sempre morre para nascer de novo. O amor que se regenera toda manhã depois de ser comido por uma águia. O futebol é essa esperança que se regenera a cada ataque frustrado, em cada bola que não entra, em cada mão de Deus que muda todos os destinos. Toda vez que você se levanta da arquibancada, arrebatado de emoção e volta a se sentar frustrado, você é um fígado se regenerando de amores. Tudo como os tentáculos de um polvo oráculo que crescem de novo depois de serem cortados. Este mundo, grande cauda de lagartixa inominável. As derrotas épicas deixam cicatrizes profundas nos tentáculos regenerados, eu sei que a dor no seu peito ainda há, mas é dessa dor que nasce todo amor por essas camisas que correm sozinhas. Não a dor do sofrimento católico, mas outra dor, interrupção que gera uma prorrogação de vontades.

Daqui pra frente são mais quatro anos dessa águia voltando para nos mastigar toda manhã. Mas o meu fígado tentacular, oracular, é como um polvo que se regenera. Mais quatro anos, quatro décadas, quatro eternidades. Nos vemos, aqui no Brasil, em 2014. Eu quero ver quando Zumbi chegar.

Zumbi...


...e o Polvo


10 de jul de 2010

Balanço final da Copa africana de 2010 (por 7A)





O Homo Sapiens, este animal do delírio, surgiu na África. Logo quando o hominídeo resolveu saltar de seu ócio, eis que aí o enigma veio à luz. Lá vem, lá vem o africano politicamente ereto, seu canto anunciará o dia. Foi bonita essa Copa de 2010, voltando atrás em cerca de 200 mil anos de nebulosos antepassados. De repente estrelas desceram do teto. Mas, e qual o vermelho que saiu do ovo?

Uma festa belíssima com seus fuzis distribuiu fogos e metralhadoras de artifício. Cores terrosas anunciaram as cabeças das medusa neste decaído paraíso. Apesar de seu "sucesso" posterior, esta espécie surgiu a partir de uma população acanhada, com 10 mil casais ou menos driblando e comemorando gol em banto. Aplausos para eles. Acredita-se que os Homo sapiens sapiens, com suas plumas e pedras, manifestaram-se africanos cerca de 40 mil anos atrás e acabaram pintando a noite com seus pincéis atômicos, substituindo todas as espécies de hominídeos espalhadas pelo globo. Comemoram os cubanos de Miami e os africanos de Beverly Hills. O resto é história, cidade, galáxia.

Enquanto isso Campos de Carvalho continua declarando: “Não me lembro de ter nascido. Meu registro de nascimento é um blefe. Sou tão velho quanto a África.”

8 de jul de 2010

BOLA DE CRISTAL 7 (por Rô)

Primeiro, o fascínio pela bola. A forma perfeita, a pedra cheia de ar, de vida quase própria. Solta uma bola quicando no meio de uma molecada que ainda mal sabe andar e vê o que rola? Disputa. Sem regras, sem objetivos. Puro prazer: chutar a bola, estar com a bola, reter a bola. O mesmo acontece entre velhinhos, cães e gatos, ricos e pobres, mendigos e presidiários.
A experiência do chute. A corrida com ela, a vitória sobre os obstáculos. Nasce o jogo
O chute certo. O desafio de controlar o que é incontrolável por natureza. O pé e a bola.






É simples: os dois melhores tiram um par ou impar e quem ganha começa a escolher o time. Cada um quer formar o melhor time. Os reconhecidamente mais habilidosos são logo escolhidos. A perebada fica pro final. Contrapesos em nome da amizade e da alegria. Simples assim.

Qualquer boleiro escolhe os melhores e não os mais amigos. O cara pode ser meu rival declarado, mas se não for levar a rivalidade pra brincadeira e se for, de fato, melhor que os outros, tá no meu time dos sem camisa.

Imagina uma puta de uma pelada, um rachão onde você pode escolher todo e qualquer cidadão do seu país. Você escolhe o Lula ou aquele pivetinho que fingiu que tomou conta de seu carro e joga pra cacete. Menos. Lá no campinho de várzea você ganhou o par ou impar e pode escolher entre Ronaldinho gaúcho e Kleberson, Hernanes e Josué, Ganso e J. Batista, Adriano e Grafite; quem você escolhe?

Combinado numero 1: jogam os melhores.
Situação 2. Você é chamado para ocupar importante cargo. Você não tem qualquer experiência, mas tem um monte de outros atributos positivos para estar ali. Detalhe, você tem direito a um bom assessor. Você escolhe seu melhor amigo ou tenta achar um profissional experiente e desencanado que te ajude a encontrar o caminho das pedras?
Combinado numero 2: nada substitui o conhecimento, nem garra, nem marra, nem gritos nem sussurros agressivos.

Talento, conhecimento, inteligência, respeito ao cliente, amor à camisa e consciência de que tudo é um grande jogo. Um dia você ganha, outro você perde e outro dia chove. Que tudo tem a maior importância porque nada tem a menor importância.

Enquete:

Qual o maior babaca da copa?
Dunga
Maradona
Blater da Fifa
La Rionda (arbitro de Inglaterra e Alemanha)
Dommech (técnico da França)

Quem você deixaria para sempre na África?
Felipe Melo
A jabulani
Snajder
Mick Jagger
Ricardo Teixeira

A quem vc daria o troféu “Mano de Dios 2010”?
Luis Fabiano
Suarez (Uruguai)
Henry (pela classificação da França)
Low (cata-melacas tec. da Alemanha)
Maradona (defendendo seu troféu)

Quem ganha o Mico de Ouro da Copa?
Kaká
Messi
Rooney
Cristiano Ronaldo
Drogba

Qual o maior pela saco da copa?
As vuvuzelas
Galvão Bueno
Faustão e o torpedão
Os comerciais ufanistas
Os erros de arbitragem

Copa em 1 palavra
Merda
Decepção
Foda
Surpreendente
Inesquecível
Divertida
Morna
Emocionante
Tecnológica
(Outra palavra)

5 de jul de 2010

R.P ( 7A)

Estes últimos dias não têm sido fáceis. Como diria Roberto Piva, o africano não têm uma cultura da "emoção". É da "comoção" mesmo. É mais forte ainda. "Tragédia não tem solução. Drama tem." Pois é, tudo na África tem que ser mais trágico e comovido. No dia 02 de julho o Brasil caiu para a laranja mecânica e maquinal na África, e no dia 03 de julho “morreu” o poeta Roberto Piva; o riso do galo não anunciou o dia. A Holanda certa vez tentou criar o "futebol total" com o impensado carrossel, a instintiva “obra de arte total”. Mas, tudo que vimos em solo africano foi um canarinho desconjuntado e acreditando na força de seus mitos ancestrais. Mas, o que dizer nos momentos irreversíveis? Não são todos os instantes irreversíveis, esvoaçantes como formas que transbordam oceanos com seus pássaros a nos bicar o fígado? Mulheres com penas se despem flutuantes para o outro lado dos espelhos, quando os espelhos dormem. Me lembro do texto que Octavio Paz escreveu sobre a morte de André Breton. Nele Paz proferia: "Não é a primeira vez que Breton morre. Ele o soube melhor que ninguém: cada um de seus livros centrais é a história de uma ressurreição. Não sabemos o que seja realmente morrer, exceto que é o fim do eu – o fim do cárcere. Breton rompeu várias vezes este cárcere, o alargou e o negou em face ao tempo e, por um instante sem medida, coincidiu com o outro tempo. Esta experiência, núcleo de sua vida e de seu pensamento, é invulnerável e intocável: está para além do tempo, para além da morte – para além de nós mesmos. Saber-lo me reconcilia com sua morte de agora e com todo morrer." Por isso, podemos dizer que Roberto Piva não morreu, ele o sabe melhor do ninguém ressurgir tal qual um pajé da palavra. Para a magia cotidiana de R.P, "Cristo era Dionísio de ressaca." Assim Piva se auto-definia: "Não sou xamã de cemitério. Eu sou um curandeiro das palavras." Anjos eletrificados nos surgirão através dos gritos de rock saído das cavernas do ser. Para R.P, Jim Morrison representava "a própria imagem do apocalipse", como narra o poeta paulistano: "Quando me disseram que ele havia morrido eu senti que estava faltando um dragão em algum lugar do universo. Ele representou para mim uma grande parte da minha vida: a poesia do Whitman, o cafajeste bebedor de cerveja, as portas da percepção e uma visão angélica, e ao mesmo tempo selvagem, do amor. No fundo todos nós somos jim-morrisons amordaçados." Sem objeções, R.P viveu certos instantes, viu certas evidências que são a negação do tempo e das verdades não antes codificadas. Este é o seu ano, 2010 (o ano do Tigre). No fundo todos nós somos jim-morrisons amordaçados. Se é que agora não voltaremos a ver-lo, mais solúvel do que nunca estará Piva, iluminado pelo Jardim da Luz, esvoaçante como todo xamã. Dessa maneira, nos descreve R.P: "Eu vivo apenas no hoje, portanto vivo eternamente." Toda morte, uma contradição.

La escritura del dios.

“É falta e conduta anti-desportiva tocar a bola

com as mãos deliberadamente

(exceto o goleiro dentro

de sua própria área penal).”

Regra N°12


A mão de Suarez, a mão de Maradona, a mão de Kempes. La mano de dios escreve os grandes jogos mundiais dos azuis celestes celestiais das Américas. Não existe pecado do lado debaixo do equador. O jogo dos pés é pervertido, carnavalizado e a mão reescreve a história que os pés não souberam contar. Europa, África, Ásia, Oceania e até os pingüins da Antártida assistem estupefatos à reinvenção do esporte. O toque de calcanhar, a bicicleta, estes gestos inomináveis, o impossível não previsto em lei ou regra alguma, ficaram como invenção amarela. Mas os azuis da América jogam com o proibido, porque aqui nas Américas do sul não há nada que seja proibido e só o impossível acontece. Que essa escrita seja sempre ação e não malabarismos de fichas mentais, que la mano de dios seja o jogo tecendo seu próprio destino, costura eterna na pele do tempo.

Suarez

Maradona

Kempes

Levanta a cabeça

Apesar do Dunga, apesar da falha, apesar do azar, apesar, apesar... Tem sempre gente torcendo contra. Apesar de tudo eu estava torcendo a favor. Apesar de tudo é sempre triste perder.
Então levanta a cabeça Bezerra! Vamo vê quem vai assumir o comando da luta!



7D.

Bola de cristal 6 (por Rô)

Pecados e Virtudes

Primeiro vamos afastar esse viés religioso do termo “pecado”, no caso pecado capital, e trocar pelo conceito mundano de “vacilo”.

Quanto às “virtudes”, espelho invertido dos pecados, vamos só tirar o ranço católico-judaico e ficar com ela mesmo (a palavra). Pelo menos até rolar algo mais assertivo é “virtude” mesmo.

Virtudes e vacilos são posturas humanas que aplicadas às diversas circunstancias, costumam provocar conseqüências parecidas e, às vezes, inusitadas. É questão de adequação e equilíbrio.

São clássicos, têm história e acabaram se fixando em 7 pra cada lado.

7 é um número místico, por isso tão invocado. Coincidência ou não, de 58 até hoje, lá se foram 5 copas ganhas e 7 perdidas. 12 copas + uma. Essa na África.

13. Outro número cabalístico.

Ao observar com mais atenção percebemos uma relação direta entre cada vacilo e cada copa perdida.

1974 – SOBERBA

O grande vacilo foi considerar que éramos os melhores e ponto.

Zagalo, o técnico, remanescia de 70 e iniciou a retórica do “...Eles que se preocupem, os campeões somos nós”.

4 anos antes o velho Lobo recebeu um time montado, quase pronto. Só teve de dar o “toque do cheff”. Quem cortou o filé e chorou com as cebolas foi outro. O resgate da auto-estima da categoria, ainda traumatizada com o fracasso de 66, já tinha sido feito. Saldanha seu antecessor, desde a primeira convocação foi definitivo: “meu time é esse, são todos feras e com essas feras todas vamos ao topo”. Não era hora de ser humilde.

Em 74 a Seleção tinha de ser renovada, reposicionada no contexto global. A Era Pelé acabou. Zerou a pedra. O trabalho exigia muita estratégia, redefinição de paradigmas.

Havia novos craques. Alguns, como Leivinha e Marinho foram convocados. Outros solenemente esquecidos. O Zico, por exemplo. Jovem demais.

A soberba foi levando a vaquinha pro atoleiro.

- Holanda? Cruiff? Não conheço. Carrossel? Isso é futebol, não é parque de diversões.

Zagalo caiu em sua própria armadilha.

Altair Baffa, Walter Nigro, Sérgio Barbalho, Luiz Carlos Ramos, Tuca Pereira de Queirós, Juarez Soares e Lucas Neto na entrevista de Zagallo na Floresta Negra (Alemanha) na Copa do Mundo de 1974.



Ele que como jogador foi um ponta esquerda modesto, que fazia da humildade exercida paradoxalmente com grande altivez, sua grande arma, afinal não era nenhum garrincha, desprezou a modéstia, componente essencial da sua equação..

A altivez inflada virou soberba, destemperou o café com leite e amargou um fracasso que, a exemplo da ditadura, durou 20 anos e só foi redimido pelos pés de Romário, seu desafeto confesso.

E onde estava Mario Jorge Lobo Zagalo nessa hora?

Estava lá, sentado no banco, de volta à Seleção, humilde e altivamente exercendo as funções de assistente técnico do Parreira.

O café com leite nunca foi tão saboroso como naquela tarde americana, e com direito a pão italiano mais uma vez. Enfim o tetra.

(Na continuação 82, a gula e 2006, a preguiça)

Relembre a lista de Pecados Capitais (vacilos) e suas Virtudes equivalentes:

Vacilos

virtudes

Luxuria

simplicidade

Avareza

generosidade

Gula

moderação

Preguiça

presteza

Ira

paciência

Inveja

amizade

Soberba

humildade