26 de nov de 2007

GASOLINA (por 7A)

Sempre desconfiei que a verdadeira profundidade estaria na superfície das coisas.
Walt Whitman bem nos ensinou que seja de treva ou de luz, todo momento é um milagre.

Cavar o céu com as unhas e dormir nas sombras dos prédios,
nas varizes dos edifícios,
na argila dos basculantes,
na metade das janelas,
na solidão dos tetos.

A montagem não explica a imagem,
Os poetas não explicam os sussurros,
Os sussurros não explicam o acaso.

O cinema transpassa para a tela as demandas do imaginário poético.
A poesia é esse cinema em estado bruto.
E eu não me engano neste incêndio.
And I’m only happy when it rains.

13 de nov de 2007

Os bastidores anônimos de Kansas City (para Edmund White) Por 7A.



A cruel noite chuvosa da América, para a noite voraz da estrada. Em algum lugar ao longo da estrada eu sabia que haveria garotas, visões e tudo mais, na estrada, em algum lugar, a pérola me seria ofertada. (...) Nessa época eles dançavam pelas ruas como piões frenéticos e eu me arrastava na mesma direção como tenho feito toda minha vida, sempre rastejando atrás de pessoas que me interessam, porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo fervilhante-pop!- pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos ´´aaaaaah!``. Estávamos no teto da América e tudo o que podíamos fazer era gritar pelas ruas do Kansas City toda aquela coisa louca, palmeiras e drive-ins, uma terra prometida e esfarrapada, o limite fantástico da América numa aurora descolorida do entardecer rumo às planíceies do Kansas.
(Jack Kerouac)

Kansas City é uma cidade enorme, do mesmo jeito que Milwaukee e Denver. Nova York é uma aldeia, Londres uma coleção de aldeias e Paris é uma roça. Um lugar onde se pode dormir o dia inteiro se quiser descolar heroína, ou se perder nos cafés filosóficos da cidade de Kansas. Em Kansas City se pode reparar uma estrambótica tolerância com outras raças e credos, é possível mastigar seus fantasmas, se pode até barganhar a própria esposa em um mini-shopping sórdido para gente assolada ao meio-dia.

Como afirma Edmund White, Kansas City de futurista virou passé direto, nunca pertenceu ao presente. Além do mercado de pássaros e poules deluxe, você pode visitar os esgotos e catacumbas pelas eletricidades dos milagres da manhã.

No Kansas todos os bairros são normalmente lindos, atraentes e plenos de delícias insuspeitas, ídolos de vidro, paralelogramas de silêncio, tiranias mágicas que nos levam até as garotas de preto e os seus soturnos namorados existencialistas exibindo uma formidável agonia pela Johnson Douglas Avenue, posando para fotógrafos das gélidas iluminações cintilantes.

Zeitgeist, as crianças tristes batem suas asas, aqui você não pode sofrer nem mesmo se for um poeta. No Kansas o espelho é tão grande que a multidão vaga feito louca pelas ruas famélicas, quase ninguém conhece os áridos bastidores anônimos, a paisagem alucinatória dos véus dos andaimes.

Aqui se acaba de desencavar outro templo etrusco no excessivo passado do Kansas que resplandece nos bairros calmos para turistas e viúvas de guerra (o excessivo passado não oprime mais). Em cada esquina do Kansas ocorre um milagre sobre os brilhantes trilhos suspensos do metrô levitação, ao lado pardais esmiolam migalhas. O Nebraska finalmente é devolvido aos índios pré-históricos.

As famosas Kansas Hellfighters conversam em inglês arcaico nos inferninhos de Bricktop (na beleza impossível dos cabelos pintados de cor de tijolo), alguma coisa lembra os guinchos de uma girafa viajando em anfetamina, sempre ofertando a todos muitas plumas e um microfone de diamantes falsos, instantâneos mentais colecionados em álbuns.

Último instantâneo: As saídas art-noveau das escolas de tubarões, o flâneur vaga pela Platte Wyandotte, a um pulo de Bonner Springs, para o norte e leste. Conexão Constantinopla-Kansas, um quarto vivo em que as demolições e o som de cidades atropeladas conversam com a surdez dos fotógrafos de ar. Um museu de caça na nova Roma, o Kansas possui cantos bizarros onde o lance que alguém dá no leilão da imortalidade passa desapercebido pelos desastres fascinantes do teto devorado por asas de borboleta.

Pequeníssimos espamos de marionetes dimensionadas para uma raça de titãs: Crianças ululam e raspam o céu destes litorais sem molduras. Esquadrões de exímios orgiastas em seus costumes de veludo com apliques de fúria nos clubes do Haxixe de Prathersville, misses Américas andróginas nos santuários de febre, Paul Valery come montanhas rochosas de caramelo enquanto Jack Kerouac reclama da falta de sal nas correntes dos relógios.

Kansas City e suas mulheres acariciam unicórnios, um yankee flutua com seu umbigo ensandecido como se viajar de ácido pela Pleasent Grove fosse realmente possível. Mãos atadas nas árvores por de trás dele pessimamente desenhadas, mais parecem segurar sua auréola na cabeça. Chapéu de mendigo-rei , jokerman nas fumaças de vias-lácteas e ventanias.


Um navio metamorfoseado pelas migalhas dos deuses acaba de empacar entre dois prédios, as sombras de vidro tentam se distanciar do rebanho. (É claro que muitos acham a caça patética e sórdida). Une Amérique qui fait peur. Os Rednecks de Gladstone só cumprimentam as aves selvagens, reconhecem o raio X da história somente Domingo à meia-noite no Baixo-Kansas. As rainhas guilhotinadas ostentam no ar uma cabeça de fliperama, as crianças apodrecem, aposentados brincam e a cidade poluída em volta dá sua cartada final.

A Detroit da Itália é parecidíssima com o Kansas, já nos sentenciou certa vez Edmund White em pleno pavilhão de exposições de gado no cais frio e agradável onde alguém toca saxofone debaixo da ponte dos cegos. Primeiro instantâneo: Com quantos mantras se chega ao Kansas? Com quantos mantras se manipula a selva? E quantos mantras são suficientes para se conquistar Kansas City?
7A.

9 de nov de 2007

AMOR AMÉRICA



A maior cena de amor Americana não é nenhum beijo de Humphrey Bougart e Ingrid Bergman... não tem Deborah Kerr nem Gregory Peck.... não é aquele beijo do soldado na enfermeira no final da Segunda Guerra. A maior cena de amor Americana é Jacqueline Kennedy Onassis subindo em desespero a capota daquele Ford modelo Lincoln para catar os pedaços explodidos da cabeça de John Fitzgerald Kennedy. São algumas dezenas de fotogramas da primeira dama repossuída em transe ensangüentando as mãos nos miolos daquele 22 de novembro de 1963. Lee Harvey Oswald matou Kennedy. Dois tiros cirúrgicos, um no pescoço e outro fatal na cabeça. Foi você mesmo Oswald?! Não! Oswald o teria devorado! Lee Harvey ex-marine. Até tu Brutus?! É presidente quem deu o tiro foi um dos teus... naquele dia D of the Big D, Dallas city. Don´t you mess with Texas mr. president. Sempre que vejo um beijo em preto e branco ou escuto ao longe o Sam tocando de novo em Casa Blanca lembro de Dona Jacqueline ajoelhada no carro já funerário em movimento atrás do cérebro espatifado do marido. Amar é ter nas mãos essa massa cinzenta que pensava a América! Cinzenta como a Lua que ele queria conquistar. Flicts. É... presidente naquele 20 de julho de 1969 lembrei de suas palavras. Um homem na lua. E você o que teria pensado Kennedy ao ver na distância aquele foguete Saturno V cortando os céus como a bala que cortou o ar até a sua cabeça?! “A small trigger for a mans finger but a giant blow for a human head!” Dona Jacqueline catando miolos para alimentar mortos vivos! Miolos!!! Miolos!!! Nada é por acaso nessa vida... Lincoln morreu na sala Ford do teatro Kennedy. Kennedy morreu num Ford modelo Lincoln. É... nada é por acaso nessa vida... Sempre que penso no amor na América penso em Dona Jacqueline ajoelhada apavorada apaixonada com as mãos empapadas de sangue catando a cabeça do marido.
E Pelé disse: Love, Love and Love!
7D.

7 de nov de 2007

I am what I am, and that´s all what I am?


Popeye de santo é o marinheiro
the Marines invadem algum Oriente Médio
todos herdeiros do sangue haitiano
da Hemocaribbean Company
um biscoito por um litro do seu sangue
nosso espinafre

Popey de santo
pitando seu cachimbo
Popey o caolho estourado
sub-camões aparvalhado
rei do terreiro
jogando os búzios
para seu rebanho de cavalos
onde montam Exu, Oxossi, Saravá

Popeye de santo
e seu despacho guerra santa
Olívia Palito de burca Talibã
marinheiro desembarcando no deserto
ao som de um Frank Sinatra pomba gira
Popeye de santo is the sailorman

Well, blow me down!
O petróleo é o meu espinafre!
O petróleo é o meu sangue!

7D.

5 de nov de 2007

O Livro das Respostas (por 7A)

Lamentamos muito pela morte do teu navio?
Um prisioneiro solto pelas eternas grades do oceano.
Vai, vai contar os passos na parede?
Vai espalhar teu rebanho pela sala?
Tarde de observar canibais, areias de ilhas presas em telescópios?
O mundo não passa de um eco em palácios de lama?
O traje de distorção, flores tóxicas nas avenidas holográficas?
Em um bueiro azul cada canto te esconde?
Pianos nos aeroportos da metralhadora de luz brilhante,
Tem um palhaço solto no encanamento da tua capa de transparência, não o palhaço, mas o que havia atrás do palhaço.Tem um palhaço na areia do castelo, no barco que flutua na raiz da chuva,
tem um palhaço solto nos balões de escuro, tem um palhaço solto na maldição que acaba.
A acidez do palhaço, a afta.

Colocar giletes no escorrega,
só mesmo andando de bicicleta ladeira abaixo é que se pode esquecer todas as luzes mortas?
E quantas pessoas não estarão presas agora em elevadores?
Você já chorou jogando vídeo-game?
E que tal batata frita com sangue?

Faróis explodem pela geladeira,
você já disse olá para o Robison Crusoé do Buñuel?
O beijo do palhaço loucura.
Daquela vez ficamos tão felizes que tivemos que passar o dia inteiro no esgoto da geladeira.
Lamentamos muito pela morte do teu navio.
tem um elevador solto na lua do túnel, tem um super-homem aleijado no escritório da farsa, um narciso as the spaceboys falls down strangers...........

Mas.....você já tentou fazer um collect call para a tribo xavante de Manhattan?
Você já conversou com os tupinambás da Fifth Avenue?
E que tal tomar um chá à meia-noite com Max Ernst e Franz Picabia no meio do Central Park de cartola púrpura e venda nos olhos?
E por que não?